sexta-feira, 29 de março de 2013

sábado, 24 de março de 2012

Um Dia Isto Tinha Que Acontecer....Mia Couto


Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.
Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.
Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.
Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquer coisa phones ou pads, sempre de última geração.
São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!
A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.
Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.
Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades/características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.
E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!
Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

sábado, 10 de março de 2012

ERAM ASSIM AS NOSSAS MÃES EM MEADOS DO SÉCULO XX


 Coisas que as nossas Mães diziam e faziam...
 Uma forma que hoje é condenada pelos educadores e psicólogos.
 Mas funcionou com as gerações anteriores.
 Talvez se não tivessem mudado tanto, o nosso mundo estivesse melhor...
 (Até a tabuada foi abolida...)

A Minha Mãe ensinou-me a VALORIZAR O SORRISO…
"VOLTAS A RESPONDER-ME E LEVAS NOS DENTES! ‘
A Minha Mãe ensinou-me a RECTIDÃO.
'EU ENDIREITO-TE NEM QUE SEJA PRECISO UMA CARGA DE PORRADA! ‘
A Minha Mãe ensinou-me a DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS...
'SE TU E O TEU IRMÃO QUEREM MATAR-SE, VÃO LÁ PARA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA! ‘
A Minha Mãe ensinou-me LÓGICA E HIERARQUIA.
'PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI? ‘
A Minha Mãe ensinou-me o que é MOTIVAÇÃO
'CONTINUA A CHORAR QUE EU VOU DAR-TE UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA CHORAR! ‘
A Minha Mãe ensinou-me a CONTRADIÇÃO...
'FECHA A BOCA E COME! ‘
A Minha Mãe ensinou-me sobre ANTECIPAÇÃO
'ESPERA SÓ ATÉ O TEU PAI CHEGAR A CASA! ‘
A Minha Mãe ensinou-me sobre PACIÊNCIA
'CALMA!... QUANDO CHEGARMOS A CASA VAIS VER...'
A Minha Mãe ensinou-me sobre RACIOCÍNIO LÓGICO...
'SE CAIRES DESSA ÁRVORE VAIS PARTIR O PESCOÇO E EU AINDA TE DOU UMA SOVA! ‘
A Minha Mãe ensinou-me GENÉTICA
'ÉS IGUALZINHO AO TEU PAI! ‘
A Minha Mãe ensinou-me acerca das minhas RAÍZES
"PENSAS QUE NASCESTE NUMA FAMÍLIA RICA, É? ‘
A Minha Mãe ensinou-me sobre a SABEDORIA DE IDADE
'QUANDO TU TIVERES A MINHA IDADE, VAIS ENTENDER E JÁ SERÁ TARDE DEMAIS. ‘
A Minha Mãe ensinou-me sobre JUSTIÇA
'UM DIA TERÁS FILHOS, E ELES VÃO FAZER CONTIGO O MESMO QUE TU FAZES COMIGO! AÍ VAIS VER O QUE É BOM! ‘
A Minha Mãe ensinou-me RELIGIÃO
'REZA PARA QUE ESSA MANCHA SAIA DO TAPETE!'
A Minha Mãe ensinou-me DETERMINAÇÃO
'VAIS FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER A COMIDA QUE TENS NO PRATO!'
A Minha Mãe ensinou-me a SER OBJECTIVO
'EU CORRIJO-TE DE UMA SÓ VEZ!
A Minha Mãe ensinou-me a TER GOSTO PELOS ESTUDOS
'SE EU FOR AÍ E NÃO TIVERES TERMINADO A LIÇÃO, ESPERA QUE VAIS VER!...'
A Minha Mãe ensinou-me os NÚMEROS
'VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER AINDA LEVAS UMA SOVA!

E eu não fiquei traumatizado!

Obrigado
M ã e ! ! !

domingo, 4 de março de 2012

Por isto é que somos o "Melhor do Mundo"

Ser Benfiquista em terra de portistas...

Isto de ser Benfiquista em terra de portistas tem que se lhe diga.

Para usar um eufemismo, será assim como ser palestiniano em Israel. Só que pior, porque ao menos eles com as bombas ainda matam uns quantos israelitas!

Não há terra mais violenta e agressiva em relação à sua fé desportiva do que a cidade do Porto.

Já sei, as claques violentas também existem no Benfica e no Sporting e, de vez em quando, já se sabe, há merda.

Caem varandas e rebentam explosivos em pleno estádio e partem-se carros e são, no seu geral, parvalhões com problemas de auto-controlo. Parvos há-os em todo o lado, com mais ou menos concentração per capita.

Mas no Porto não. A violência pode não ser toda de explosivos feita, mas é uma constante.

Principalmente se dirigida a um Benfiquista.

O simples facto de existirmos e respirarmos, às vezes perto demais pelos vistos, irrita os portistas. E de dentro da mais civilizada pessoa, às vezes até de amigos, sai um monstro que quer, literalmente, arrancar-nos a cabeça só porque um de nós é mais vermelho e branco.

Não se iludam, aqui não há saudáveis e divertidas trocas de galhardetes, "porque a minha equipa é melhor que a tua", aqui há uma perseguição cerrada e doentia ao Benfiquista, como se hereges fôssemos a fugir da fogueira da Inquisição”.

Eu compreendia que se debatessem os jogos entre as duas equipas, toda a gente sabe que os árbitros roubam, às vezes joga-se melhor ou pior, etc. Mas não. O portista gosta de chatear o Benfiquista em várias ocasiões, a saber:

Sempre que pode;

Sempre que o porto joga;

Sempre que o porto ganha;

Sempre que o porto perde (esta nunca percebi);

Sempre que o Benfica joga, ganha, perde, empata ou vê anulado um golo.

Por: http://istoedejoana.blogspot.com/2008/10/portista-ou-missionrio.html

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Música de discoteca anima-me e diverte-me;

musica sinfónica concentra-me;

sons da natureza relaxam-me.

Contudo, existe um tipo de música que me dá alegria e me motiva;

adoro ouvir a marcha fúnebre, num funeral dum politico.

Significa que a Energia do Universo, continua a limpeza sobre as almas sujas !

José Saramago

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Definição de FILHO por José Saramago

“Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior acto de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de estar a agir correctamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo”.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Desejo-te Tempo!

Não te desejo um presente qualquer;

Desejo-te somente aquilo que a maioria não tem;

Tempo, para te divertires e para sorrir;

Tempo para que os obstáculos sejam sempre superados;

E muitos sucessos comemorados.

Desejo-te tempo, para planear e realizar;

Não só para ti mesmo, mas também para doá-lo aos outros.

Desejo-te tempo, não para ter pressa e correr;

Mas tempo para encontrares a ti mesmo;

Desejo-te tempo, não só para passar ou para vê-lo no relógio;

Desejo-te tempo, para que fiques;

Tempo para te encantares e tempo para confiar em alguém;

Desejo-te tempo para tocar as estrelas;

E tempo para crescer, para amadurecer;

Desejo-te tempo para aprender e acertar;

Tempo para recomeçar, se fracassar.

Desejo-te tempo também para poder voltar atrás e perdoar;

Para ter novas esperanças e para amar;

Não faz mais sentido protelar;

Desejo-te tempo para ser feliz;

Para viver cada dia, cada hora como um presente.

Desejo-te tempo, tempo para a vida.

Desejo-te tempo. Tempo. Muito tempo!

domingo, 20 de março de 2011

As 11 regras do "Mestre"...

Bill Gates, apontado por vários anos como o homem mais rico do mundo, e fundador da Microsoft, foi convidado por uma escola secundária para uma palestra. Chegou de helicóptero, tirou o papel do bolso onde havia escrito onze itens. Leu tudo em menos de 5 minutos, foi aplaudido por mais de 10 minutos sem parar, agradeceu e foi embora em seu helicóptero. Os itens eram segundo Bill Gates, onze regras da vida que as escolas não ensinavam. São as seguintes:

* Regra 1 – A vida não é fácil: – habitua-te a isso.

* Regra 2 – O mundo não está preocupado com a tua auto-estima. O mundo espera que faças alguma coisa útil por ele ANTES de sentir-te bem contigo mesmo.

* Regra 3 - Não ganharás 30.000 euros por mês assim que saires da escola. Não serás vice-presidente de uma empresa com carro e telefone à disposição antes que tenhas conseguido comprar teu próprio carro e telefone.

* Regra 4 - Se achas teu professor duro, espera até teres um Chefe. Ele não terá pena de ti.

* Regra 5 – Virar frangos ou trabalhar durante as férias não está abaixo da tua posição social. Os teus avós têm uma palavra diferente para isso: eles chamam-lhe de oportunidade.

* Regra 6 - Se fracassares, não é culpa dos teus pais. Então não lamentes os teus erros, aprende com eles.

* Regra 7 - Antes de nasceres, teus pais não eram tão críticos como agora. Eles só ficaram assim por pagar as tuas contas, lavar tuas roupas e ouvir-te dizer que eles são “ridículos”. Então antes de salvar o planeta para a próxima geração querendo consertar os erros da geração dos teus pais, tenta limpar teu próprio quarto.

* Regra 8 – A tua escola pode ter eliminado a distinção entre vencedores e perdedores, mas a vida não é assim. Em algumas escolas já não chumbas e tens quantas chances precisares até acertares. Isto não se parece com absolutamente NADA na vida real. Se não fizeres bem, estás despedido… RUA!!!!! Faz as coisas bem à primeira!

* Regra 9 - A vida não é dividida em semestres. Não terás sempre os verões livres e é pouco provável que outros empregados te ajudem a cumprir as tuas tarefas no fim de cada período.

* Regra 10 – Televisão NÃO é vida real. Na vida real, as pessoas têm que deixar o barzinho ou a discoteca e ir trabalhar.

* Regra 11 – Sê simpatico com os marrões (aqueles estudantes que os demais julgam que são uns totós). Existe uma grande probabilidade de que venhas a trabalhar PARA um deles.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Existe uma geração à rasca?

Existe uma geração à rasca?

Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-característica

s não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.

Pode ser que nada/ninguém seja assim.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Carta ao Director do New York Times

Terminada a última guerra mundial, foi encontrada, num campo de concentração nazi, a seguinte carta:

“Caro Professor,

Sou um sobrevivente de um campo de concentração.

Os meus olhos viram o que jamais olhos humanos deveriam poder ver:

- Câmaras de gás construídas por engenheiros doutorados;

- Adolescentes envenenados por físicos eruditos;

- Crianças assassinadas por enfermeiras diplomadas;

- Mulheres e bebés queimados por bacharéis e licenciados.

Por isso desconfio da educação.

Eis o meu apelo: ajudem os vossos alunos a serem humanos.

Que os vossos esforços nunca possam produzir monstros instruídos, psicopatas competentes, Eichmanns educados.

A leitura, a escrita, a aritmética só são importantes se tornarem as nossas crianças mais humanas."

domingo, 30 de janeiro de 2011

Algo realmente estranho...

Este ano vamos ter quatro datas incomuns .... 1/1/11; 1/11/11; 11/1/11; 11/11/11 e tem mais...

Agora vão descobrir que os últimos 2 dígitos do ano em que nasceu mais a idade que você vai ter este ano e a sua soma será igual a 111 para todos... ALGUEM ME EXPLICA ISSO?...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

domingo, 2 de janeiro de 2011

A vida resume-se a... 4 garrafas

Dassssse!!!....
e já estamos na terceira!

sábado, 11 de dezembro de 2010

"O Norte", por Miguel Esteves Cardoso

Primeiro, as verdades.

O Norte é mais Português que Portugal.

As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.

O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.

As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram. Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde- branca. Verde- rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar- se branco ao olhar. Até o granito das casas.

Mais verdades.

No Norte a comida é melhor.

O vinho é melhor.

O serviço é melhor.

Os preços são mais baixos.

Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.

Estas são as verdades do Norte de Portugal.

Mas há uma verdade maior.

É que só o Norte existe. O Sul não existe.

As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta.

Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte.

No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?

No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses Juntos falam de Portugal inteiro.

Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.

Não haja enganos.

Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.

Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.

Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.

Mas o Norte é onde Portugal começa.

Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.

Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.

Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa.

Mais ou menos peninsular, ou insular.

É esta a verdade.

Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é Especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte.

Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.

No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.

O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.

O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.

Tem esse defeito e essa verdade.

Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino.

O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.

As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos.

Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade.

Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros.

Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas.

São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.

Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.

Só descomposturas, e mimos, e carinhos.

O Norte é a nossa verdade.

Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.

Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte".

Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.

No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto.

Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.

O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os- Montes, se é litoral ou interior, português ou galego?

Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.

O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm e dizer "Portugal" e "Portugueses".

No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos.

Como se fosse só um nome.

Como "Norte".

Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros.

Porque é que não é assim que nos chamamos todos? »